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Fora de Moda

Um bando de ovelhas negras Tosou o pastor de roupas brancas. Não precisa de pele nem alma: Quem tem as vestes tão alvas; Quem tem as falas tão brandas; Quem sabe por onde todos Têm o modo certo De chegar não sei onde; Deus me livre esperar Um julgamento. Eu que ainda não sou nem ovelha negra. Eu que de rebanhos Quero distância, E me visto Só com a alma: Que para viver de aparência Além do olhar maquiado, Sempre há um gasto de tempo. Quem vive muito: morre cedo. Julio Urrutiaga Almada - Do Livro Poemas Mal_Ditos

Outra História de Calar

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” (Fernando Pessoa) Ela quis partir. Não foi embora de nada do que tinham de precioso, pois ela não queria chorar a ausência das bagagens. Não carregou nos lábios densos e sedentos a hora inevitável do outro beijo, que era o primeiro, feito anseio pelo segundo, desespero pelo terceiro, vertigem pelo vale povoado de beijos ciumentos, disputando sempre a preferência. Um beijo sepultou o outro e desmemoriado com ela partiu. Ela não queria perder e para isso não teve. Podemos achar o amor por ele oferecido, embrulhado em rara seda, em uma das calçadas do tempo, pisado pela dolorosa oração: “Ah, se nós tivéssemos nos conhecido em outro momento da minha vida.” Não sei dela. Partiu. Dele sei que calou. Anda correndo por um túnel de silêncio. O silêncio costuma testemunhar o enterro de dores e o combate dos desejos. ...
1 e 11 Um e onze dizem sim no meio céu fiquei pregado Eu e ao lado teu nunca enfim Absorto no ontem Dos teus lábios Transitando entre Cirrus e nefastos Os Amores infestados De pudor, azia, Fóbicos, Fortes Enclausurando Olhos flamejantes E Há braços pouco módicos. Enlameias meu sim Embaraças meu não Jaz na sombra O presente Por nós nunca Tocado Dias para aniquilar O Hoje: Mal Passado. Quer receber o livro em formato eletronico?  julioalmadaescritor@gmail.com

Alma Andarilha

Walking Around Sucede que me canso de ser hombre. Sucede que entro en las sastrerías y en los cines marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro Navegando en un agua de origen y ceniza. Pablo Neruda Há uma meia-tinta na palidez hoje: Os saciados forjam na fonte: O riso rasgado dos dias meio-vividos. A cor sangra luz no asfalto vazio E tombam os muros esmurrados há anos. Há uma meia-tinta na palidez hoje: E a dor para doer fala Um idioma estranho. Já não sei nada do que falta. Já me falta saber tudo. Há uma meia-tinta na palidez hoje: Ponteiros pontuam: Eu: há semanas: A corda desossa os barcos e reclamo: Há uma meia-tinta na palidez hoje: Há uma falta serena de cor Do que foge. Há uma falta na flor que consome. Meus olhos. Meu sangue. Meu nome. Há uma meia-tinta na palidez hoje: E um amor de visita preso na garganta. Um balde de sangue jorrando um brilho E um homem cinza dizendo: Há uma meia-tinta na palidez hoje. Um poeta pregando dedos na cruz Ao percorrer sua VIA dize...
Suspiro Amei tua pele e teu talvez Amei tua dor e loucura Senti o ardor da tua tez Ao mentir tua jura Julio Almada
passion when your love pierce my body and mute  my voice I'll be shipwrecked here this voracious moment All your pores in me. like a storm: Undoing two bodies On the high seas! Julio Urrutiaga Almada - 2014 Paixão Quando teu amor Transpasse meu corpo E emudeça minha voz. Estarei eu aqui náufrago Desse instante voraz Todos teus poros em mim. Como tempestade: Desfazendo dois corpos Em alto-mar! Julio Urrutiaga Almada – 1997 – Livro Instantâneo Enlace

Poema de Tigres

01 Las garras son mis ojos, Los que eran de cualquier otro, Y en la osadía de mi madrugada Los instalé de súbito en mi cuerpo. Ojos renacidos de no morir Donde la muerte les visita la gravedad. 02 Instantáneos y profundos como la nostalgia: Nocturna matinal arenosa e incómoda. Los lobos las aves las hojas y la mirada de un pozo, Laberinto circular de mis pasos felinos. El tigre de los gritos de mi cuerpo Arrastrar y no oír. Deshojo Sin saberlo, el intento en mi cara. Mi Sonrisa no tiene que decir. 03 Los Tigres de vuelos no vistos, No hay como ver la altura de lo imprevisto; Ni como huir la huida de los que tienen hado; Ni como ser luz de lo que perdió la vista, Sin ser brillo y entorpecer. Los designados nunca son enteros Cargan en sus pasos, pies desgarrados:  Las piernas y los hechos y los dolores. 04 No hay destino exacto para la semilla en el desierto. Para implacable incertidumbre despierta. ...

Valéria - Conto do Livro Caderno de Ontem

...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido. Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos. Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras. O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo. O tom do corpo era o da sua alma, alçando Vôo ou arremessada. Os lábios de mordiscar-se encendiam rubras faces. E não havia movimento de dança mais inusitado do que a forma renovada de suas sobrancelhas. Nela vi e perdi de vista: muitas mulheres. Outonais ou primaveris, escandalizando ou escandalizadas e como não poderia deixar de ser, entre o modo de ninguém e de todas, havia no seu olhar a pena de uma tristeza empoçada. Julio Urrutiaga Almada do Livro Cad...

Contos - Caderno de Ontem

Últimos Exemplares: Este Livro tem em torno de 90 narrativas curtas, escritas na  sua maioria, na livraria da travessa na travessa do ouvidor  no Rio de Janeiro. São Textos de 2006. Livro de Contos Curtos. 102 páginas. Leia um dos contos. Modus Operandi Se não és senhor de ti mesmo, ainda que sejas poderoso, dá-me pena e riso o teu poderio. (Josemaría Escrivá) Inventei outra dor. A de ontem era insuportável, estava aprisionada com seu destino de dias memoráveis, na cela pretensa da previsibilidade. Esperada. Morrerei de uma dor amorfa e estrangeira, distinta, incoerente. Uma dor homicida, que furará com olhar de desdém, as muitas que já senti. Julio Urrutiaga Almada do Livro Caderno de Ontem Não Fique sem o seu: envie um e-mail para  almadalivros@gmail.com

Conto do livro Caderno de Ontem

Maria “Na noite profunda e escura da alma, são sempre três da madrugada.” F.Scott Fitzgerald “Em cada nota de dinheiro ganho pela dona desse lugar: há uma lágrima nossa: o choro pela unha não pintada, por um novo dia sem poder combinar a roupa ou pela visita ao cabeleireiro, outra vez, desmarcada. Se não fosse a vaidade, eu não estaria aqui”, ela disse, alisando ostensivamente, os cabelos. Muitas vezes, eu fui convidado para sua festa de despedida. Não agüento mais esse lugar, eram suas palavras. Um homem apaixonadíssimo viria na sexta ou sábado e esse seria seu último dia. Semana após semana: ela ainda estava ali. O amor tem dessas coisas e também as têm: a conveniência, o cinismo e a deslealdade. Nem sempre ela me cumprimentava, mas quando o fazia, era com intensidade e forma peculiar: uma demonstração de que antes estava impedida: algum cliente, álcool demasiado ou um breve esquecimento. A meia-luz do lugar revelava, rostos memoráveis, esses que a tristeza arreba...

Site Oficial

Poemas de Julio Urrutiaga Almada www.julioalmada.net

Dê um livro de presente no Natal

O Livro Caderno de Ontem tem 90 narrativas curtas.Ainda que, existam os insistentes em rotular as prosas marcadas pelos signos comuns do autor(que escreveu muita poesia), como prosa poética,consta para mim, uma linguagem bem direta nesses relatos em cafés ou outros refúgios.Foram contos curtos escritos em 2006, inéditos até o momento. Leia um dos tantos contos com nome feminino como título: Valéria ...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido. Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos. Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras. O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo. O tom do corpo era o da sua alma, alçando Vôo ou arre...

Sobre o Livro Em um Mapa sem Cachorros

JULIO ALMADA: ENTRE A TRADIÇÃO E A MODERNIDADE, A POESIA A poesia surgiu em tempos imemoriais e segundo a história do Ocidente teria se desenvolvido primeiramente na Grécia. Ela é uma forma de cantar a memória dos homens, de exprimir sua alma, suas emoções, suas visões de mundo. Toda vez que surge um novo poeta , o cantar da Humanidade se renova. Este é o caso de Julio Almada. Ele transita entre a tradição da poesia do séc. XIX ( Baudelaire) até chegar à poesia moderna de nossos tempos. Ele dialoga em seus versos com poetas do porte de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mario Cesaryni. Utilizando-se do manancial dos poetas ( as metáforas , rimas, aliterações, assonâncias, anáforas), constrói novas sonoridades e novas formas imagéticas em seus poemas. T. S. Eliot já dizia num famoso ensaio sobre poesia e sociedade, que a função social do poeta é renovar sua língua, é levar a seu povo uma nova forma de dizer as palavras, fazer com que surja uma nova...

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Sou um Escritor independente transitando por várias expressões, inclusive o teatro e a música.Atuei como professor e tradutor literário.Estava trabalhando em uma empresa até Outubro do ano passado, porém fui demitido.Tenho Tentado continuamente um novo trabalho regular, mas atualmente tenho várias limitações para produzir e ter resultados financeiros com meu trabalho direto, devido a um problema de saúde mental que meu filho enfrenta há 4 anos. Há progressos e está realizando tratamento(mas ainda tem crises frequentes em trajetos,mesmo tratando-se de ir e voltar do tratamento e isso exige dedicação quase exclusiva.uma alternativa seria contratar um acompanhante terapeutico e isso custa bastante), preciso encontrar alternativas para dar continuidade ao tratamento, assistência a ele e sobrevivermos.Pago aluguel e todas as demais despesas.Tenho tido dificuldades com o transporte dele(ele tem crises dentro de onibus) pois isso causa transtornos e acabo tendo que dedicar-me em tempo ...