Historinha Comprei uma flor assassina Dessas que te grudam os espinhos Dessas que te olham de mansinho Dessas que nunca dizem jamais E foi em uma tarde de abril Eu: o homem de outubro Eu que maio esperava Para observar junho. Comprei uma flor assassina Diziam não perca a oferta. E hoje a noite é longínqua. E hoje a flor é incerta. E hoje –o amanhã do ontem- Me olha e me compra. Eu que dizia: não estou à venda. Eu de olhos abertos: Aparo com as mãos cortadas: Meu coração de desertos. Julio Almada do Livro Em um Mapa sem Cachorros Mais textos: www.bloguerocoisanenhuma.blogspot.com
"Só voa quem de céu é feito" Julio Urrutiaga Almada
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