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Valéria

“Parecemos tão livres - e estamos tão encadeados... “
( Robert Browning)



...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido.
Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos.

Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras.
O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo.
O tom do corpo era o da sua alma, alçando vôo ou arremessada.
Os lábios de mordiscar-se acendiam rubras faces. E não havia movimento de dança mais inusitado do que a forma renovada de suas sobrancelhas.
Nela vi e perdi de vista: muitas mulheres. Outonais ou primaveris, escandalizando ou escandalizadas e como não poderia deixar de ser, entre o modo de ninguém e de todas, havia no seu olhar a pena de uma tristeza empoçada.

Julio Almada, Do Livro Caderno de Ontem


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Comments

Èrica said…
Mulheres diversas... Múltiplas mulheres que se sustentam ou se dissolvem no impreciso caminho, que ora se faz doce, ora atroz...
Mulher simplesmente...
Este trecho me lembrou muito as mulheres múltiplas e compostas do escritor Osman Lins, especialmente no seu romance "Avalovara". Bom passear por aqui. Grata pelo convite. Abraços alados.

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