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Héracles


Ninguém sabe
Degustar
um segredo.

Ele tem a cara
De um Câncer.

Ele tem o cheiro
De um medo.

Eu verto silêncios
E aromas de baunilha
Nesses dias entristecidos.

Eu perambulo
Pelos endereços
Inábeis
Dos tempos felizes.

Eu sofro
De amores voláteis
Desandando
A maionese dos magos.


Flor de um asfalto retrátil
Devorador de pernas
dóceis
E sonhos contidos.

Esvoaço a vida
Se esvoaçada
Deixa-se.

Falo a verve
Descontrolada
Dos abismos.

Amo a febre
Dos meus sentidos:
Voz embargada.

Desavisado sorrio
Os dias me dilaceram
Na sorte que anunciam.

Dobro a esquina
Cruzo o rio
Sangro desaparecido.

As mãos prenunciadas
São a febre
Das horas enraivecidas.
O olho inerte
É o remorso
Do tempo vencido.

A outra margem
O rosto da correnteza
cortada.


Palidez é a cor
mais selvagem
a mim permitida.

Morrer centenas
De vezes e não
Morrer sequer um dia:

Trançado de vozes
Calando
As pedras velozes.

Comments

Unknown said…
Maravilhoso, texto que condensa palavras, muito lirismo.
Parabéns pelos seus poemas.


TROPEÇOS


1 – Tropeço na incerteza
Olho pela janela e contemplo o mar,
Vejo, lá distante, um barco...
Tenho incerteza! Será um barco ou a ilusão?
Uma nuvem ou será a saudade que passa?
Essa insegurança embaraça a minha mente...

2 -Tropeço na alegria

Imagino-me no éter, na alegria da morada angelical!
É o amor sem saudade, sem a fantasia de sonhador...

3 - Tropeço na esperança

Espero te receber com meus olhos já sem saudade,
Espero nas tuas carícias uma nova realidade.

4 -Tropeço na verdade

Faz do teu carinho a minha verdade!
Deixa-me beijar o teu sorriso,
Teu beijo é felicidade.

Tarcísio Ribeiro Costa

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