Skip to main content














Canto Inflado

Amor é noite que te canto
Mas o que é noite?
É quando afoito treme na
Janela: não ser teu corpo.

Amor já te pensei estrela
Nuvem, roçar de terra
Amo-te muito e pouco
E o que me tem absorto
É olhar-te ao não ver-te
Sendo o dito o pensado
E o sentir o do abandono.

Não queria amor cantar
Nem adeus nem saudade
Nem nada

O entreabrir de tua voz
Aveludada ao beijar-me
É o sonho dessa tarde.

Como sonho, como adianto,
Um relógio que não anda.
Vivo tudo e nada
Esse suar tua falta tenta estancar.

O alarido das nuvens áridas
São flores perfumes só das tuas
Maçãs do rosto e olhares
Naufragar em ti é levitar.

Julio Almada do Livro Hora Tenaz

Comments

Nil Brasil said…
sem mais palavras...encantador!!!

Popular posts from this blog

O caderno felino do suicida - W. Teca

Posfácio  Julio Urrutiaga Almada  Inevitável, será ou seria, começar esta apreciação, citando ou se exercitando como um felino, depois de tanta embriaguez literária ou à moda Baudelaire, qualquer embriaguez que nos salve desta tacanha quase existência ou reflexão disforme. Mas, nada nos salvará. E acredito que só a felina vontade de impor-se nos impostará a voz até onde seja devido ou buscado. Começo a felinear pelo livro, bem fodido, às 6 da manhã. De quem não deseja oferecer-nos a poesia como comida rápida, devemos esperar Hemistíquios conectando-nos à montanha-russa do poeta feito à forja do dia a dia e respirando tradição que luta para reinventar-se. Nem poeta certificado de escritório, nem transeunte que se esqueceu em alguma esquina já tomada pelos donos da terra. Poesia viva reivindicando soar como música e ser vista como baile. E escuto do Poeta os primeiros versos a girar em meu oficio de leitor:  nunca fui capaz de ter um plano nesta terra redonda e [chata sou a...
Valéria “Parecemos tão livres - e estamos tão encadeados... “ ( Robert Browning) ...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido. Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos. Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras. O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo. O tom do corpo era o da sua alma, alçando vôo ou arremessada. Os lábios de mordiscar-se acendiam rubras faces. E não havia movimento de dança mais inusitado do que a forma renovada de suas sobrancelhas. Nela vi e perdi de vista: muitas mulheres. Outonais ou primaveris, escandalizando ou escandalizadas e como não poderia deixar de ser, entre o modo de ninguém e de todas, havia no seu olhar a ...
Historinha Comprei uma flor assassina Dessas que te grudam os espinhos Dessas que te olham de mansinho Dessas que nunca dizem jamais E foi em uma tarde de abril Eu: o homem de outubro Eu que maio esperava Para observar junho. Comprei uma flor assassina Diziam não perca a oferta. E hoje a noite é longínqua. E hoje a flor é incerta. E hoje –o amanhã do ontem- Me olha e me compra. Eu que dizia: não estou à venda. Eu de olhos abertos: Aparo com as mãos cortadas: Meu coração de desertos. Julio Almada do Livro Em um Mapa sem Cachorros Mais textos: www.bloguerocoisanenhuma.blogspot.com