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Via Cruzes: à Machado


Toda cidade que dorme: merece seus pesadelos


O desgosto enche copos

E esvazia garrafas

A dor desce logo

Arranhando as vidraças


Não fica pedra sobre pedra

Na calçada


A rua deserta flerta

Com meia dúzia de corpos

Talvez alguns poetas

Ou vampiros assustados


Não fica pedra sobre pedra

Na calçada


Brincar com os amigos

Termina em um ouvido atordoado

Nem todos que se abraçam

estão já perdoados


Não fica pedra sobre pedra

Na calçada


Amanheço no centro de triagem

Do inferno:

Dois olhos famintos

No álcool mergulhados


Não fica pedra sobre pedra

Na calçada


Saio dessa vida, não mais volto

Querem brincar de morrer: morram

Pareço mais preso do que solto

Os que ainda puderem me socorram.


Julio Almada, Poemas Mal_Ditos


Comments

Olá, cara, quanto tempo!

Gosto deste estilo de poema, trazendo o underground, o que destoa da normalidade.
Tenho um verso que fala de "pessoas/esquecendo a morte nos bares".
Teu poema é por ai: a viagem dos sentidos na noite longa dos delírios...


Abração.

Ricardo Mainieri

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