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Caderno de Ontem - Contos curtos

O Livro Caderno de Ontem tem 90 narrativas curtas.Ainda que, existam os insistentes em rotular as prosas marcadas pelos signos comuns do autor(que escreveu muita poesia), como prosa poética,consta para mim, uma linguagem bem direta nesses relatos em cafés ou outros refúgios.Foram contos curtos escritos em 2006, inéditos até o momento. Leia um dos tantos contos com nome feminino como título: Valéria ...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido. Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos. Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras. O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo. O tom do corpo era o da sua alma, alçando Vôo ou ...

Heracles

Ninguém sabe Degustar um segredo. Ele tem a cara De um Câncer. Ele tem o cheiro De um medo. Eu verto silêncios E aromas de baunilha Nesses dias entristecidos. Eu perambulo Pelos endereços Inábeis Dos tempos felizes. Eu sofro De amores voláteis Desandando A maionese dos magos. Flor de um asfalto retrátil Devorador de pernas dóceis E sonhos contidos. Esvoaço a vida Se esvoaçada Deixa-se. Falo a verve Descontrolada Dos abismos. Amo a febre Dos meus sentidos: Voz embargada. Desavisado sorrio Os dias me dilaceram Na sorte que anunciam. Dobro a esquina Cruzo o rio Sangro desaparecido. As mãos prenunciadas São a febre Das horas enraivecidas. O olho inerte É o remorso Do tempo vencido. A outra margem O rosto da correnteza cortada. Palidez é a cor mais selvagem à mim permitida. Morrer centenas De vezes e não Morrer sequer um di...

Beira do Caminho

O livro Beira do Caminho reúne poemas selecionados de 5 livros de Julio Almada. Leia a seguir, a apresentação de cada conjunto de poemas inseridos no livro: LIVRO DOS SILÊNCIOS “Contrariando minhas premissas, este livro, surgiu de um propósito, aparentemente racional e, como um desabafo do silêncio, fluiu vertiginosamente, de sobressalto, nas contadas horas, de um só dia.” 02/12/2005 Publicado em Abril de 2006, Editora Corifeu, 39 poemas sobre o silêncio nas relações. Conheça um dos Poemas: Brilho de uma lua Desnuda a lua? Desnudos, estamos nós, Cobertos de alguns veludos, Tecidos longe da voz, Dos nossos, muitos sentidos. Nudez absoluta, Despidos do que já fomos. Luz seduzida. Réstia sem crisântemos. Nu seria bom, Achar-me, Entre os pertences, Ao qual pertenço. O imenso Que me pertence Ao desnudar-me. Julio Almada In Livro dos silêncios INSTANTÂNEO ENLACE O Primeiro nome, deste livro, “pode reunir-se...

Máquina de Moer Carma

O Poema fôlego: Máquina de Moer Carma, virou poema livro com seus 320 e tantos versos. Leia o começo, é um meio de querer ir até o fim: Máquina de Moer Carma Quero essa poesia morta De orelha a orelha Nós que não teremos paraíso Não quero o aviso Insosso De nenhum Bom Sense Sem inocência Que virou almoço Ou lugar-tenente De algum lumpem inteligentsia Quero ao menos A suja fossa limpa E a sincera indecência O sistema de moer almas Nos quer desprovidos De qualquer amor À narina Desprovidos da Arte do cheiro Ao inalar morte marinha Sugamos com desespero Fuligem e honraria Por falta de fome e exemplo Sou ainda o mesmo homem Nome extenso pra guarida Solidão pra passatempo Comendo o momento Me empanturro de futuro E embriagado de ar Nada me dói, eu juro E mais pra dizer, diria O desuso do silêncio Há freio no amor puro E excesso de conselho Em excesso sem belo Estátuas de sol Ex-tratos humanos A te...

Fora de Moda

Um bando de ovelhas negras Tosou o pastor de roupas brancas. Não precisa de pele nem alma: Quem tem as vestes tão alvas; Quem tem as falas tão brandas; Quem sabe por onde todos Têm o modo certo De chegar não sei onde; Deus me livre esperar Um julgamento. Eu que ainda não sou nem ovelha negra. Eu que de rebanhos Quero distância, E me visto Só com a alma: Que para viver de aparência Além do olhar maquiado, Sempre há um gasto de tempo. Quem vive muito: morre cedo. Julio Urrutiaga Almada - Do Livro Poemas Mal_Ditos

Outra História de Calar

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” (Fernando Pessoa) Ela quis partir. Não foi embora de nada do que tinham de precioso, pois ela não queria chorar a ausência das bagagens. Não carregou nos lábios densos e sedentos a hora inevitável do outro beijo, que era o primeiro, feito anseio pelo segundo, desespero pelo terceiro, vertigem pelo vale povoado de beijos ciumentos, disputando sempre a preferência. Um beijo sepultou o outro e desmemoriado com ela partiu. Ela não queria perder e para isso não teve. Podemos achar o amor por ele oferecido, embrulhado em rara seda, em uma das calçadas do tempo, pisado pela dolorosa oração: “Ah, se nós tivéssemos nos conhecido em outro momento da minha vida.” Não sei dela. Partiu. Dele sei que calou. Anda correndo por um túnel de silêncio. O silêncio costuma testemunhar o enterro de dores e o combate dos desejos. ...
1 e 11 Um e onze dizem sim no meio céu fiquei pregado Eu e ao lado teu nunca enfim Absorto no ontem Dos teus lábios Transitando entre Cirrus e nefastos Os Amores infestados De pudor, azia, Fóbicos, Fortes Enclausurando Olhos flamejantes E Há braços pouco módicos. Enlameias meu sim Embaraças meu não Jaz na sombra O presente Por nós nunca Tocado Dias para aniquilar O Hoje: Mal Passado. Quer receber o livro em formato eletronico?  julioalmadaescritor@gmail.com

Alma Andarilha

Walking Around Sucede que me canso de ser hombre. Sucede que entro en las sastrerías y en los cines marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro Navegando en un agua de origen y ceniza. Pablo Neruda Há uma meia-tinta na palidez hoje: Os saciados forjam na fonte: O riso rasgado dos dias meio-vividos. A cor sangra luz no asfalto vazio E tombam os muros esmurrados há anos. Há uma meia-tinta na palidez hoje: E a dor para doer fala Um idioma estranho. Já não sei nada do que falta. Já me falta saber tudo. Há uma meia-tinta na palidez hoje: Ponteiros pontuam: Eu: há semanas: A corda desossa os barcos e reclamo: Há uma meia-tinta na palidez hoje: Há uma falta serena de cor Do que foge. Há uma falta na flor que consome. Meus olhos. Meu sangue. Meu nome. Há uma meia-tinta na palidez hoje: E um amor de visita preso na garganta. Um balde de sangue jorrando um brilho E um homem cinza dizendo: Há uma meia-tinta na palidez hoje. Um poeta pregando dedos na cruz Ao percorrer sua VIA dize...
Suspiro Amei tua pele e teu talvez Amei tua dor e loucura Senti o ardor da tua tez Ao mentir tua jura Julio Almada
passion when your love pierce my body and mute  my voice I'll be shipwrecked here this voracious moment All your pores in me. like a storm: Undoing two bodies On the high seas! Julio Urrutiaga Almada - 2014 Paixão Quando teu amor Transpasse meu corpo E emudeça minha voz. Estarei eu aqui náufrago Desse instante voraz Todos teus poros em mim. Como tempestade: Desfazendo dois corpos Em alto-mar! Julio Urrutiaga Almada – 1997 – Livro Instantâneo Enlace

Poema de Tigres

01 Las garras son mis ojos, Los que eran de cualquier otro, Y en la osadía de mi madrugada Los instalé de súbito en mi cuerpo. Ojos renacidos de no morir Donde la muerte les visita la gravedad. 02 Instantáneos y profundos como la nostalgia: Nocturna matinal arenosa e incómoda. Los lobos las aves las hojas y la mirada de un pozo, Laberinto circular de mis pasos felinos. El tigre de los gritos de mi cuerpo Arrastrar y no oír. Deshojo Sin saberlo, el intento en mi cara. Mi Sonrisa no tiene que decir. 03 Los Tigres de vuelos no vistos, No hay como ver la altura de lo imprevisto; Ni como huir la huida de los que tienen hado; Ni como ser luz de lo que perdió la vista, Sin ser brillo y entorpecer. Los designados nunca son enteros Cargan en sus pasos, pies desgarrados:  Las piernas y los hechos y los dolores. 04 No hay destino exacto para la semilla en el desierto. Para implacable incertidumbre despierta. ...