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Compre um DVD contendo: * Livro Poemas Mal_Ditos em formato pdf(na íntegra) * 14 Faixas de Aúdio(Poemas Declamados) * Apresentação de Fotos com poemas Para adquirir o DVD envie um e-mail para : julio.almada@hotmail.com Leia a apresentação dolivro; www.poemas-mal-ditos.blogspot.com Mais texto de Julio Almada : www.julioalmada.net
Súplica Me ames. Farias o inevitável se o amor ponderado não fosse o imponderável se o amor não fosse o temporário se o impossível não fosse o necessário se meu sempre não fosse o embora. Julio Almada, Do livro Poemas Mal_Ditos
Esperança Que mundo de sombras este, Onde a penumbra Nos cobra favores. Onde o anônimo Nos traz dissabores. Onde quem cala, Nos fere com a alma, Não comprometida. E que depois de tanto, porém, Sempre há o modo certo De calar as cicatrizes. Julio Almada, Instantâneo Enlace
As viagens tornaram-se perdidas As viagens, tornaram-se perdidas. Olhos selvagens: Os rios absolutos. Perdidas almas, espiando, são viagens. Janelas da alma, os olhos que de selvagens, preservam sua natureza, famintos , aguardando olhares longínquos. Viajantes, os rios choram, Preservadas almas, cansadas de chorar. Declamando, a concisão da alma, Os olhos, rios formam, Lágrimas, no diamante de um olhar. Julio Almada do Livro Instantâneo Enlace
Em um Mapa sem Cachorros Em um dia fúnebre Antes da hora Do Mês dito Agosto O prato do pranto Foi a flor que chora Frio e nunca no ponto O meu verso é dessa Forma: fugidio inexato O sangue não é lágrima Mas bóia no mesmo prato E eu de mim tudo perdi Ao olhar inconformado Os dias no calendário Rasgados e putrefatos Para dizer do tempo: venci E nunca de fato Ter o tempo segurado Umas vezes ele me prendia Nas outras me degolava E o sangue doce foi Uma mesa vazia De esperar e embaraço Tudo o que eu antes dizia Hoje me olha estupefato Frangalhos meu sonho inútil Outroras meus simulacros Nem fingir mais eu sei De tanto que me zombaram E se o verso me verte algo Me exaspera ser: enfático Sou a metade do caminho De um fim que nunca sabe A que veio aonde termina se depois de tanta armadilha Compensa todo vil pedaço. Julio Almada
La Muerte “Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.” Fernando Pessoa He Muerto. No sé, si en el Jueves, por la noche o viernes al amanecer. No sé, és cierto, tratarse o no, de un sueño, ese estado no reconocido, de estar en si mismo. Pero cada sueño o ensueño, me pasó en la vida, con sus trajes variados. Sueños de reir, de espanto, en medio de la noche, pesadillas eventuales, sensaciones de no respirar. En el momento, afuera los ojos, sin lograr abrirlos y unas ganas de escribir, lo que no se olvida. Nada más tengo, ni siquiera sé, donde estoy. Tratandose, solamente de un estado de dormir, algunas horas, espero que, los angeles asaltantes de sueños, apunten lo que les cuento, por si acaso, se me olvida, parte o el todo, al despertarme. Nadie és teorico de muerte, quien dirá práctico.En vida, no tuve interés y ahora tampoco, és posible, prepararse en ese tema. Otra duda hay – si supiera, diria – ¿Alguien me vió muerto o se entero de eso? ¿Parezco algo loco o sin int...
Observada no metrô “Um homem nunca sabe aquilo de que é capaz até que o tenta fazer.” (Charles Dickens) ...o que fazer com os olhos abertos, senão povoar a nave da mente com as imagens rebeldes de qualquer deserto? Púrpura, roxo, nuances, uma blusa qualquer, linda sim, era a cor massageando suas faces sorridentes. O alvo da pele e o carmim dos lábios mordiscadores. A minha solidão enfrenta amiúde, essas doces feras, de recatadas investidas e desejos entorpecedores. Vê-la foi desnudar minha infelicidade. Tornar gigantes, os dias de mesquinhas insignificâncias. Diante da dádiva vemos nossa falta. Nos meus olhos, nunca antes houvera, a centelha por ela deixada. Seu olhar era uma perfilada busca do infinito. Imóveis músculos na face tornados guardiões de qualquer desejo escondido. Não a decifraria. Meus dias não seriam suficientes. Assim como palavra nenhuma, trocamos, nosso segredo foi, nenhum. Nos meus olhos nunca antes houvera, a centelha por ela deixada. Julio Almada, Do livro Caderno...
Tentando Explicar “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.” (George Bernard Shaw) Caderno de ontem, não é um diário, aliás, dos dias apaguei seu costume de escolher datas. As lembranças, sólidas maneiras de eu saber, que não surgi imediatamente, brotam de forma avassaladora e não as dato. As datas são fatos de ontem. Muitas vezes, senti a tentação, após algumas linhas, em particular, as ritmadas e com rimas: as poéticas confissões emersas dos afogamentos e devaneios interiores: poemas, esses sempre pretendi datar. Pretensão! Ato quase nenhum. Seguem sem sinal de nascimento. Pertencem a maioria – confesso ter imposto a poucos o destino de nascer em um determinado momento – ao tempo contínuo, ao surgir agora como eu nunca haver surgido, assim gosto que me ocorram os escritos. Mas bem sei e posso contar: laborioso e cheio de ruídos e fagulhas, pode ser o aparecimento de cada poema. Caderno de ontem. Caderno do Tempo no papel do silênci...
Testemunha O Mar é o manto Do choro lento Do leve pranto Da dor do tempo. Julio Almada do Livro Hora Tenaz
Estarrecido Há uma cidade submersa na cidade Outra há em mim. Não uma senão uma Que emerge à diário E outra ainda soterrada. Uma de enganos sobre tudo Outra de acertos no deserto. E ainda quando é noite No céu, equívoco de outras, Nas minhas é luz ou, O grito De alguém que não me ouve. Julio Almada, Hora Tenaz
Porão Eu desci dos telhados. Saí do olho roxo Das embarcações naufragadas. Auréola de um sinistro desenho: Eu e minha sombra De mãos dadas. Hora inerte no algodão inflamado. Triste coluna de si mesmo: Um beijo doce No flanco amargo. Julio Almada,Hora Tenaz
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Ouça Poesia Declamada http://www.julioalmada.net/audios.php
Múltiplo Desencanto Não era você nem amor nem hora Nem sei se era eu nem sei se adeus Muito menos se agora. O tempo do meu tempo É um não lento veneno Dos meus anos. E não posso tudo que na poça Do medo dos outros mora; Meu medo é poça seca. Nem o desespero me conforma Luz nenhuma ofuscante despenteia O desalinho da vidraça O meu tempo é um veio de um rio Que é fim é tudo e nada E tranca e cava e afoga. Julio Almada, Do livro Hora Tenaz
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Serpente O nosso amor era vertigem Pantanoso e desesperado Fez do fel o doce E do desfigurar a esfinge Os teus cabelos alisavam meu desgosto A língua palpitante e confundida Bebeu do todo embriagada Tempestade incessante as veias A tua face nunca ruborizada. Julio Almada, Do livro Hora Tenaz
lanterneiro é verdade, a vida é um troço de doer. dói, meu caro, dói, sim senhor, dói como um guarda-chuva aberto dentro do estômago, como uma ave no éter do petróleo, como um galo no ártico. dói como doem as pevides dentro da fruta, como dói o corpo dentro do quarto, como deus na eternidade das coisas que nunca existiram. atino em eufórica sensação de escombro: estar vivo é mais importante do que ser feliz! e não obstante sermos – entre a dor da morte e a dor do parto – este buquês de dores, jamais aceitaremos o éter na veia, o vaso de águas enfermiças, as roças de lápides e relógios, o repouso de quem cortou os pulsos. nossas vísceras são focos de incêndio. e se algum lugar de nossa carne transparente erguermos uma nave e um rito, não o faremos para o sofrimento, senão para que, antes de nos espojarmos nos degraus, brindemos a nossa próxima alegria Rodrigo Madeira do Livro Sol sem Pálpebras
Meninos e Meninas Sou de poucas palavras. Falo por demais. Calo, as que falavas. Falo até calar. Canso de cansado. Canso por cansar. Falo e já não falo. Falo que não falas. Falo que não calas. Fala que não falhas. Se falo, falho. Se falho, Por que falas? Se calas, Não quero. Se falas, Não quero. Por que calas? Por que falas? Aço, meu silêncio. Aço, teu falar. Aço, fundo corte. Aço, um brilhar. Fala - me Átrio e ampulheta: Nosso falar. Nosso calar. Calado falas. Falando, calas? Calada, falo. Falando, calo? As flores várias. Sigo a espinhar - me. 02/12/2005 Livro dos Silêncios