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La Muerte “Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.” Fernando Pessoa He Muerto. No sé, si en el Jueves, por la noche o viernes al amanecer. No sé, és cierto, tratarse o no, de un sueño, ese estado no reconocido, de estar en si mismo. Pero cada sueño o ensueño, me pasó en la vida, con sus trajes variados. Sueños de reir, de espanto, en medio de la noche, pesadillas eventuales, sensaciones de no respirar. En el momento, afuera los ojos, sin lograr abrirlos y unas ganas de escribir, lo que no se olvida. Nada más tengo, ni siquiera sé, donde estoy. Tratandose, solamente de un estado de dormir, algunas horas, espero que, los angeles asaltantes de sueños, apunten lo que les cuento, por si acaso, se me olvida, parte o el todo, al despertarme. Nadie és teorico de muerte, quien dirá práctico.En vida, no tuve interés y ahora tampoco, és posible, prepararse en ese tema. Otra duda hay – si supiera, diria – ¿Alguien me vió muerto o se entero de eso? ¿Parezco algo loco o sin int...
Observada no metrô “Um homem nunca sabe aquilo de que é capaz até que o tenta fazer.” (Charles Dickens) ...o que fazer com os olhos abertos, senão povoar a nave da mente com as imagens rebeldes de qualquer deserto? Púrpura, roxo, nuances, uma blusa qualquer, linda sim, era a cor massageando suas faces sorridentes. O alvo da pele e o carmim dos lábios mordiscadores. A minha solidão enfrenta amiúde, essas doces feras, de recatadas investidas e desejos entorpecedores. Vê-la foi desnudar minha infelicidade. Tornar gigantes, os dias de mesquinhas insignificâncias. Diante da dádiva vemos nossa falta. Nos meus olhos, nunca antes houvera, a centelha por ela deixada. Seu olhar era uma perfilada busca do infinito. Imóveis músculos na face tornados guardiões de qualquer desejo escondido. Não a decifraria. Meus dias não seriam suficientes. Assim como palavra nenhuma, trocamos, nosso segredo foi, nenhum. Nos meus olhos nunca antes houvera, a centelha por ela deixada. Julio Almada, Do livro Caderno...
Tentando Explicar “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.” (George Bernard Shaw) Caderno de ontem, não é um diário, aliás, dos dias apaguei seu costume de escolher datas. As lembranças, sólidas maneiras de eu saber, que não surgi imediatamente, brotam de forma avassaladora e não as dato. As datas são fatos de ontem. Muitas vezes, senti a tentação, após algumas linhas, em particular, as ritmadas e com rimas: as poéticas confissões emersas dos afogamentos e devaneios interiores: poemas, esses sempre pretendi datar. Pretensão! Ato quase nenhum. Seguem sem sinal de nascimento. Pertencem a maioria – confesso ter imposto a poucos o destino de nascer em um determinado momento – ao tempo contínuo, ao surgir agora como eu nunca haver surgido, assim gosto que me ocorram os escritos. Mas bem sei e posso contar: laborioso e cheio de ruídos e fagulhas, pode ser o aparecimento de cada poema. Caderno de ontem. Caderno do Tempo no papel do silênci...
Testemunha O Mar é o manto Do choro lento Do leve pranto Da dor do tempo. Julio Almada do Livro Hora Tenaz
Estarrecido Há uma cidade submersa na cidade Outra há em mim. Não uma senão uma Que emerge à diário E outra ainda soterrada. Uma de enganos sobre tudo Outra de acertos no deserto. E ainda quando é noite No céu, equívoco de outras, Nas minhas é luz ou, O grito De alguém que não me ouve. Julio Almada, Hora Tenaz
Porão Eu desci dos telhados. Saí do olho roxo Das embarcações naufragadas. Auréola de um sinistro desenho: Eu e minha sombra De mãos dadas. Hora inerte no algodão inflamado. Triste coluna de si mesmo: Um beijo doce No flanco amargo. Julio Almada,Hora Tenaz
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Múltiplo Desencanto Não era você nem amor nem hora Nem sei se era eu nem sei se adeus Muito menos se agora. O tempo do meu tempo É um não lento veneno Dos meus anos. E não posso tudo que na poça Do medo dos outros mora; Meu medo é poça seca. Nem o desespero me conforma Luz nenhuma ofuscante despenteia O desalinho da vidraça O meu tempo é um veio de um rio Que é fim é tudo e nada E tranca e cava e afoga. Julio Almada, Do livro Hora Tenaz
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Serpente O nosso amor era vertigem Pantanoso e desesperado Fez do fel o doce E do desfigurar a esfinge Os teus cabelos alisavam meu desgosto A língua palpitante e confundida Bebeu do todo embriagada Tempestade incessante as veias A tua face nunca ruborizada. Julio Almada, Do livro Hora Tenaz
lanterneiro é verdade, a vida é um troço de doer. dói, meu caro, dói, sim senhor, dói como um guarda-chuva aberto dentro do estômago, como uma ave no éter do petróleo, como um galo no ártico. dói como doem as pevides dentro da fruta, como dói o corpo dentro do quarto, como deus na eternidade das coisas que nunca existiram. atino em eufórica sensação de escombro: estar vivo é mais importante do que ser feliz! e não obstante sermos – entre a dor da morte e a dor do parto – este buquês de dores, jamais aceitaremos o éter na veia, o vaso de águas enfermiças, as roças de lápides e relógios, o repouso de quem cortou os pulsos. nossas vísceras são focos de incêndio. e se algum lugar de nossa carne transparente erguermos uma nave e um rito, não o faremos para o sofrimento, senão para que, antes de nos espojarmos nos degraus, brindemos a nossa próxima alegria Rodrigo Madeira do Livro Sol sem Pálpebras
Meninos e Meninas Sou de poucas palavras. Falo por demais. Calo, as que falavas. Falo até calar. Canso de cansado. Canso por cansar. Falo e já não falo. Falo que não falas. Falo que não calas. Fala que não falhas. Se falo, falho. Se falho, Por que falas? Se calas, Não quero. Se falas, Não quero. Por que calas? Por que falas? Aço, meu silêncio. Aço, teu falar. Aço, fundo corte. Aço, um brilhar. Fala - me Átrio e ampulheta: Nosso falar. Nosso calar. Calado falas. Falando, calas? Calada, falo. Falando, calo? As flores várias. Sigo a espinhar - me. 02/12/2005 Livro dos Silêncios
Ex - tratos fera O frio que me congela, não é o inverno. Inverno aqui, verão, Em outras terras. A Terra que me preservam, Não dá colheitas. Colheitas são dos que prosperam. Julio Almada, Instantâneo Enlace
Todo Dia Se é para viver: tudo! Antes que a morte nada, Nos deixe além do defunto, A espiar a alma em retirada. Julio Almada
“Ao ler, eu procuro um respiradouro...Se meu olhar escava entre as palavras, é para tentar discernir o que se esboça a distância, nos espaços que se estendem para além da palavra fim” (Calvino, Ítalo. 1999. Se um viajante numa noite de inverno . Trad. N. Moulin. São Paulo: Companhia das Letras). O livro Poemas Mal_Ditos, do poeta Júlio Almada proporciona efeitos múltiplos. A cada nova poesia, a dualidade dos sentidos aflora, se avoluma e transborda em seus infinitos significados. A priori, o leitor mais precipitado, ávido por leituras superficiais, pode achar que o livro é construído em torno de clichês cansados. Mas, não se enganem, é ao contrário, construído com fervor, onde a intertextualidade com seus mestres, encena o jogo das palavras da liberdade e dos signos. Em cada verso há um pouco da medula óssea do autor. Suas palavras compõem, decompõem e recompõem sua voz lírica na árdua busca do fazer poético e de si mesmo. A angústia, a dramatici...
Tigre de Asas A noite é veloz e esquecimento. A Flor que me anima – Esperança. A alma é hora triste, desencontrada, E eu, o que nunca sabem. Andanças minhas não faces. Lembranças as nunca fases. Abraços de fugazes Esperares. Ruídos amassando folhas, Amares invadindo ruas. Fraquezas de desenlace, Soturnas e nuas fugas. As vidas que ocultasse, A dor que se encondesse, O beijo desanuviado, O triste de esquecer – se. Amor como não sabem Chamá-lo de outros nomes? Se, quando nas praças, o encontro, Não sei como chamá-lo. Se quando a relva é triste, Se quando já chorei, O amor se existe, ao longe me olha e finge Nunca saber, O doce dos meus olhos, O quente dos meus lábios, O aroma dos meus fortes Silêncios de enternecer. Amor já me tocaste, Amor triste notar Idas de não voltares O Nunca esquecer. Teus lábios, despetalares, As pétalas do meu querer. De que me vale amar-te? De que me valeu dizer? Que amor há de faltar-te? Se o meu não faltará Que flor há de tocar-te? Se a minha há de murchar. N...
Desclassificado Hoje amo A mulher pelo brinco. A mão do bolso é a mesma que acaricia. Ela veio no ônibus Foi embora domingo. Casamos de véu E granada. Meus passos Na calçada Serão os nossos filhos. Julio Almada, Do Livro Poemas Mal_Ditos Mais Textos: www.julioalmada.net