Skip to main content

Posts

Farpas Faca por aqui não é Arma branca É arma branda. Armados de Tenazes Dissimulares Com garras de angústias E sombra nos olhares Os outros e os outros Em mim combatem: A luz da minha sombra.
POEMA PARA SER BREVE Amor nunca é veloz de forma alguma. É feito de escombros lentos, forjados inteiros de uma ranhura. Profundo em rasos tempos, é tudo: em pouca textura. Corte na cicatriz vindoura seca a água que nos sacia. E quando o olho dilacerado vê as ruínas já sao outras coisas: Uma flor que nao disse primavera; Um céu onde se pousa; braços ruidosos como laços; olhos com a pele de uma lâmpada; O que era eu: um adeus breve. O que eras tu: nova mariposa. Julio Almada
Sonrisa de palos "Os espinhos que me feriram foram produzidos pelo arbusto que plantei. (Byron)" Era el tiempo de acostarse la ventolera De callar los ruidos de los palos De huir los cachorros de las fieras. Polvorientas rusgas mis rasgos Y el espejo no me las mostraba Juan ni nadie las veia Y yo no me acostumbrava. Era casa submersa: mi estar en silencio. Submergida entre navios y piedras En la mar oscurecida. De vasos y jarros Eran raros mis ratos De alegria. Más bien los tenia En un huequito de sueño En la mirada vacia. Julio Almada, Do Livro Arde
Faltando um luar A indiferença dela É diferente. Parece soda e ácido Mas não passa: De um rosto transparente, Que abandonou os olhos E o coração, Ao desconsolo da mente. Julio Almada, Poemas Mal_Ditos
Poema do Esconde-Esconde Para Roberto Portugal Alves(In Memorian) 1 Ensina-me a calar. Ensina-me na janela do dizer O que se vê E faz cessar O que se fala. Ensina-me a esquecer. Ensina-me A desfazer A sina de não ser O que eu sou. 2 A sepultura que te mostra. A sepultura que te esconde. A vazia mesa posta. A loucura da minha fronte. A vida e sua morte inesperada. A morte e sua vida desesperada. 3 O recinto em que me inventas É o intento de conter-me Nesta flâmula de tempo Em teus lábios cinzentos. 4 Lua transposta: Mar refletido, semente de pedras, Lagos infindos, verbos inertes, pó na estrada. Lua transposta e do medo, as garras. O medo transposto: metamórfico. 5 Separo os grãos do prever do meu destino Separo o fraco café do leite Me separam, a água e o azeite Me invento no mundo, clandestino. 6 Poesia urbana: veloz, dissipada, bípede, infame, Imprópria, inata, ciliar, banal, morrendo de Muitas mortes. 7 A página em branco contém: O desejo franco de possuir datas. Não um número e uma...
Cicuta para dois No fim da maçã: a semente. Dentro de nós um pouco, De termos ouvido sempre: Vociferar um amor louco. No escuro do quarto: a neblina Da memória: puxa os lençóis. Não passem frio: menino e menina. Retidos na retina ainda: Nós. A corda do destino: branca, Nossos pés juntos: cegou. Hoje nos falta o que restou: O baile ensurdecedor da lembrança. O aroma quente do chamado amor. E o abraço: que a solidão estanca. Julio Almada, Poemas Mal_Ditos
Poemas Mal_Ditos Um poeta em seu reino dos céus Tem sempre esse inferno particular: Se cortando na sutileza dos véus Olha nos olhos do que há para revelar Vê claro o que claramente oculto É o mais escondido dos tesouros. logo o acusam de estar em surto ao dançar com a alma dos touros. Chega de promessas do paraíso repleto de prazeres artificiais. Escrevo uma dor ácida e aviso: sou o menos morto dos mortais! Vestido com a ousadia nua: Como flor de lótus nos funerais. Quero a tinta que a beleza sua E deitar vivo, aonde a vida jaz. Julio Almada, Do Livro Poemas Mal_Ditos
Amor a dentadas Contigo já nem sei mais começar. Atropelados todos os meios Desisti de ser inteiro. Me mordo em sonho quase sempre: Destroncando o curso na montanha Do que era rio e hoje é veio. Só bebo dessa sede que em mim Com fogo congelas: Por ter os lábios e a língua feitos Pela metade e perdidos estarem Na polpa de tua pele como sementes. É dia de arrancar unhas curtas E arrastar o barulho das luas: Para difamar o amor que me engana E mostrar que corte de pedra não é Dor. É só uma carícia de quem carece De outras suavidades. Julio Almada, Do Livro Poemas Mal_Ditos
Parte arrancada O ódio bebo de dentro pra fora. O medo bebo de fora pra dentro. De noite não é o olho que chora: É o estouro da represa do tempo. meus monstros ainda os vejo; Eles ainda me apagam sempre; Mas agora só olho o presente, me achando de novo no espelho. nunca deixei de ser muitos: aqueles muitos que eu não era: os espanco onde antes houvera: morte sem vida sem primavera: delirios e pesadelos abruptos. E renasço da flor de meus lutos. Julio Almada, Do livro poemas Mal_Ditos
Alegria Um dia A casa de vento Na ventania desfeita: Desnudou O olho lacrimejante Com suas dores retidas. Julio Almada
Testemunha O Mar é o manto Do Choro Lento Do Leve pranto Da dor do tempo. Julio Almada
Domingo à Tarde Por onde as escadas sobem? Por onde sem nome Vou? Profundas as não verdades, a falta que me restou. Julio Almada